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  • Grupo de Ensino São Paulo

Devocional Mãos à Obra: Uma só vida

Jhonny Mendes

Este é o meu mandamento: Amem-se uns aos outros. (João 15:17)

Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo (Efésios 5:21)

Consolem uns aos outros (1 Tessalonicenses 4:18)

Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vocês mesmo (Romanos 12:10)

Sobretudo, amem-se sinceramente uns aos outros, porque o amor perdoa muitíssimos pecados (1 Pedro (4:8)

Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: Que nos amemos uns aos outros. (1 João 3:11)

O termo "uns aos outros" é muitíssimo frequente no Novo Testamento. Ao todo, o termo é repetido 67 nos seus originais. A ideia aqui é de que a vida cristã não é nem uma vida autocentrada, nem uma vida de completa abnegação, mas sim uma vida de compartilhamento. Em outras palavras, você atende as necessidades das outras pessoas para outras pessoas atenderem suas necessidades. “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas"(Mateus 7:12)

Ou seja, não só um ou outro versículo que ensinam sobre a vida em comunidade. A Bíblia toda parece apontar para isso: Estar unido com Deus, é estar unido com os outros.

A ideia de “quem ama precisa de alguém para amar”, que o amor é algo divido entre as pessoas, não é muito difícil de entender. Pois dificilmente podemos imaginar alguém que “ame sozinho”. Contudo, a religiosidade que chegou até nós complica um pouco nosso entendimento da forma com que esse amor acontece. Muitas vezes, quando pensamos em religião, nós a entendemos como uma ferramenta para nos aproximarmos de Deus e dele obtermos a nossa salvação. E de fato, Deus nos ama individualmente e ninguém pode ser salvo pela ação de outros. Porém, podemos falhar terrivelmente ao entendermos que, apesar de Deus nos salvar individualmente, ele também nos salva como um coletivo.

Pois nós seu rebanho. Sua plantação. O seu povo. A nação eleita. Seus sacerdotes. Nós somos seus filhos. Fazemos parte do corpo de Cristo. Apesar de Deus nos enxergar pessoalmente, ele tem um plano para este mundo que envolve uma coletividade. O plano de Deus para a salvação do mundo envolve não só você, mas pessoas iguais a você que devem se amar mutuamente.


Quando nos tornamos cristãos, aprendemos que não devemos viver para nós mesmos. Mas o que definitivamente esquecemos é que somos na verdade chamados para viver uns pelos outros. A ideia de “uns pelos outros” pode ser entendida como “reciprocidade”. Em outras palavras, deveríamos pensar em nós mesmos como um coletivo, cumprindo as necessidades dos outros em primeiro lugar, ao invés das nossas. Ensinando, para que sejamos ensinados, consolando, para que sejamos consolados, comemorando a vitória dos outros como se fossem as nossas, e assim adiante.


E faz parte da nossa fé é acreditarmos que isso funciona. Pois podemos pensar: “Mas se eu cuidar de alguém, quem garante que alguém irá cuidar de mim?”. É essa insegurança que nos torna egoístas. Essa insegurança que nos faz viver apenas preocupados com o quanto nós pecamos ou quanto nós fazemos para agradar a Deus. É por ela que paramos de amar as pessoas e concentramos apenas nas nossas falhas e nas nossas necessidades, pois acreditamos que a nossa salvação depende do quanto nós somos moralmente perfeitos. Fazemos isso para não precisamos ser vulneráveis e dependermos de outras pessoas.


Mas, se ao invés de nos concentramos nas nossas falhas, nos concentramos nos mandamentos de Deus? E se fizermos o que ele nos pede, amarmos uns aos outros, e pararmos de tentarmos alcançar uma perfeição moral, só para não dependermos das outras pessoas? A questão aqui é confiar que Deus irá suprir as nossas necessidades e moldar nosso caráter se nós vivermos como uma comunidade, não como um "bando de indivíduos”. A realidade sobre nós é que muitos querem ser conhecidos por serem bons, mas poucos parecem preocupados em serem amorosos.


Então, tal qual são numerosas as escrituras que dizem “uns aos outros”, que mais numerosas sejam as situações em que compartilhemos algo. Que possamos compartilhar nossas dores e alegrias, tempos de divertimento e de oração, nossas vitórias na fé e os nossos fracassos, nossa comida, nossas aventuras. Absolutamente tudo. Pois você não está sozinho. Deus o escolheu para participar de um povo. E isso faz parte do plano de Deus para sua salvação. Mas é escolha sua querer fazer parte deste povo. Pois, neste estranho povo, os que se fazem últimos serão os primeiros.


Reflexão: O que significa para você viver uma vida “uns aos outros”?


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