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  • Grupo de Ensino São Paulo

Um só corpo

Jhonny Mendes

Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo.
Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito.
O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos.
Se o pé disser: "Porque não sou mão, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo.
E se o ouvido disser: "Porque não sou olho, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo.
Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato?

1 Coríntios 12:12-17


Apesar das nossas individualidades e diferenças, dentro do corpo de Cristo somos todos como um só. O que a Bíblia ensina aqui é que cada membro da igreja é como o membro de um corpo. Uma mão pode se mover livremente, mas ela ainda está presa dentro do corpo.

Também não deveríamos dar diferentes importâncias para os membros do corpo da igreja. Não há quem seja melhor ou pior, pois todos nós fomos salvos nas mesmas condições. Independentemente de que fazemos agora, ou que fomos no passado, todos nós éramos pecadores e só estamos aqui pela Graça de Deus. É deus quem nos fez parte do corpo, e é ele quem atribui suas funções. Assim, todos nós servimos juntos o mesmo Deus, trabalhando unidos na mesma boa obra.


Contudo, da mesma forma que a ideia de um corpo de diferentes partes promove a ideia de autonomia entre essas partes, ela também transmite a ideia de interdependência. Pois ainda que um olho possa ver, ele jamais poderá ouvir. A incapacidade de um termina, quando a capacidade do outro começa. Assim, sendo interdependentes, nenhuma parte pode dizer que existe além da outra. Para que um corpo trabalhe propriamente são necessárias todas as suas partes. Pois nós complementamos uns aos outros.


Quando Cristo nos salvou através da sua morte e ressureição, ele nos salvou individualmente. Ele morreu pelos nossos pecados individuais. Mas também nos salvou coletivamente, pois isto se estende a todos nós. Muitas vezes nos focamos demasiadamente em um desses polos e esquecemos que eles são inseparáveis. Nem podemos ser salvos separadamente da igreja, tentando ser “lobos solitários”, vivendo a cristandade sozinhos, nem podemos ser “Maria vai com as outras”, ou seja, acreditar que seremos salvos só por passarmos tempo com em um grupo.


A igreja faz parte do reino do Deus, e como reino, temos um só Senhor, e nós somos os seus servos. Como servos, a nossa preocupação maior deveria ser em como melhor atender ao nosso Senhor. Porque somos gratos pelo o que nosso Senhor e salvador fez por nós. Mas se nós não trabalharmos em grupo, como um verdadeiro corpo, não estaremos conseguindo dar cabo dessa missão.

Por exemplo, vejamos a questão do evangelismo.

Se você pensa que você sozinho vai conseguir batizar quatro pessoas esse ano, você provavelmente está sendo um lobo solitário. Você pensa que sua espiritualidade é o bastante para fazer outras pessoas conhecerem a Deus, mas mesmo se isso fosse verdade, esse é necessariamente um trabalho para mais de uma pessoa. Você já parou para pensar que o irmão ou irmã que está te estudando a Bíblia com você ele está dividindo um trabalho contigo? Que o líder que te ensinou está dividindo um trabalho contigo? Você não seria capaz de ensinar, repreender e amar a vida de uma pessoa, se outras pessoas não te ajudassem a fazer isso. Você deve muito a outras pessoas que te levaram a estar onde você está agora. Então é preciso que nos ajudemos mutualmente, cuidando uns dos outros, para cumprir a obra com o máximo de excelência.

Mas se você pensa que, independentemente do que você faça, a obra vai adiante, você está sendo uma “Maria vai com as outras”. Ou seja, você acredita que alguém mais vai fazer o trabalho, independente das suas ações. Seja Deus, ou o seu líder, ou o seu amigo mais espiritual, alguém vai ter misericórdia dos perdidos e esse alguém não precisa ser você. O principal problema desse pensamento é que ele te despensa de fazer aquilo que é o mais central do evangelho. Ora, se Deus tivesse o mesmo pensamento que você, todos estaríamos perdidos. A centralidade do evangelho é o amor de Deus, e o amor se opõe a indiferença. Quando você pensa que alguém melhor pode fazer o seu trabalho, você na verdade está se isentando de amar. E se não amamos, e queremos viver uma vida de indiferença, que diferença o evangelho fez então em nossas vidas?


Não podemos esquecer esses dois extremos. De um lado desprezamos os outros e queremos depender só de nós mesmos. Do outro, queremos depender dos outros esperando que eles sempre tenham a iniciativa. Mas como Paulo nos escreve em sua carta, não há partes mais importantes neste corpo. Nem partes menos importantes. Então quando você considera que os outros são desnecessários, você os despreza. E quando você considera que o seu trabalho não é necessário, você se despreza. Mas nenhuma dessas visões está de acordo com a visão de Deus sobre nós. Deus deu talentos incríveis e que são úteis para o seu reino, ainda que não possamos entender isso. Mas estes talentos só são melhor utilizados quando trabalhados em grupo.



Reflexão: Quais são os talentos que você gostaria usar para o crecimento do Reino?

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