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  • Grupo de Ensino São Paulo

Um só zelo

Jhonny Mendes

O zelo que tenho por vocês é um zelo que vem de Deus. Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura.
O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo. 

2 Coríntios 11:2,3


O apostolo Paulo aqui fala um pouco sobre o zelo dele para com a igreja de Coríntios. Ele demonstra o quanto ele está preocupado com a doutrina e moralidade daquela igreja, quase como ele está preocupado consigo próprio. Ele mesmo afirma que “quer evitar” que esta igreja caía em pecado, em outras palavras ele está assumindo alguma responsabilidade sobre a atitude da igreja, uma vez que há o que ele possa fazer para ajudá-la.

Paulo aqui entende que a ideia de responsabilidade se estende além do conceito de obrigação, ou seja, de fazer algo motivado por alguma punição. Ele entende que o amor, na forma de zelo, é a motivação onde não há obrigação. E por isso ele se preocupa tanto com a igreja de Coríntios, porque apesar de não estar propriamente nas suas mãos evitar que ela caía nas armadilhas de Satanás, está nas suas mãos fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que isso aconteça.


Muitas vezes nós enfatizamos que a fé cristã é uma fé individual. Nem os pecados, nem a justiça são algo transferível. Como diz as Sagradas Escrituras: “Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada.” (Ezequiel 18:20). E este ensino é perfeito e correto pois nos mostra a importância das nossas próprias ações e nos leva a confiar somente em Deus, não no que outras pessoas supostamente possam fazer por nós. Contudo, não devemos entender isso como uma forma de isentar a nossa responsabilidade sobre as outras pessoas.


Um outro erro tão perigoso quanto este é acreditar que não temos absolutamente nenhuma responsabilidade para com os outros. Se um irmão não está bem espiritualmente, podemos até sentir muito pela situação dele, mas não pensamos que temos qualquer responsabilidade sobre a vida dele, afinal, os pecados dele recaem somente sobre ele. Essa é a verdade, mas não é a verdade por inteira. Pois, se nós não nos importamos uns pelos outros, e nós ajudamos mutualmente, que diferença Deus fez na nossa vida? O que aprendemos com Jesus, afinal? Se Jesus buscou ajudar a pecadores e ímpios como nós, sendo ele justo, como ninguém mais pode ser justo, então porque acreditamos que não temos obrigação de buscar ajudar nossos iguais?

O plano de Deus para a nossa salvação envolve um conceito de comunidade. Somos seu povo, suas ovelhas, sua plantação. Como comunidade nós devemos presar pelo bem comum. Muitas vezes nós nos revoltamos com a desigualdade social que assola o nosso país. Por outro lado, podemos não nos importar tanto com a desigualdade espiritual que há em nosso meio cristão. Só nos importamos se estarmos bem com a nossa fé, mas não ligamos se os outros podem estar passando por dificuldade. Ou pior, talvez nem saibamos que os outros estejam passando por dificuldades pois estamos tão autocentrados que nem sabemos das necessidades dos outros. Sobre a desigualdade social, não há muito que possamos fazer, está além das nossas mãos. Mas a desigualdade espiritual é responsabilidade nossa, pois sem dúvidas podemos fazer algo a respeito para ajudar de maneira efetiva.


Trabalhar na obra de Deus, é mais do que um ato de evangelismo. Quando Paulo nos diz “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fazia crescer” (1 Coríntios 3:6) ele nos lembra duas importantes coisas. Em primeiro lugar, que tudo o que fazemos depende de Deus. Mas em segundo lugar, que, como uma planta, a mensagem tem que ser semeada, mas também é preciso que alguém a cultive, que a “regue”. Tal qual somos todos levados a terem vidas evangelistas, também deveríamos ter vida pastoreio para com nossos irmãos. Deveríamos zelar para que a mensagem semeada não se perca de seus corações. Não porque Deus precise de nós para trabalhar; mas porque isso faz bem para nós.

Faz bem para nós pois nos ensina a amar. Nos faz ter a dimensão de Deus sobre o seu reino, nos faz entender que seu amor se espalha por toda a terra. Pois seus irmãos também são preciosos para Deus, pois Cristo desceu ao mundo dos mortos e ressuscitou por conta deles. Muitas vezes, nós nos perguntamos porque não estamos conseguindo mais vitórias espirituais, mas muitas vezes é porque Deus quer nos ensinar que a próxima vitória espiritual vamos ter está em outra pessoa.


Reflexão: O que você imagina quando você pensa na palavra “zelo”?

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